Eu queria que ele parasse de me procurar. Ou me achasse de vez. Porque existe um tipo de ausência que dói menos do que uma presença pela metade. Tem gente que vai embora. E tudo bem. A dor da despedida, por mais cruel que seja, um dia encontra um lugar para descansar. O problema é quem nunca vai embora de verdade. Quem aparece quando sente saudade, desaparece quando sente medo e volta quando percebe que você está conseguindo seguir. É como viver com uma porta que nunca fecha e nunca abre completamente. Você não sabe se espera, se esquece, se responde, se bloqueia, se interpreta o silêncio ou a mensagem de "oi, sumida" enviada às onze da noite. E, aos poucos, a sua vida começa a girar em torno das migalhas de alguém que nunca teve coragem de oferecer um banquete. Talvez o que eu deseje não seja nem ele. Talvez eu deseje o fim dessa espera invisível. Porque ser escolhida pela metade é uma forma muito silenciosa de rejeição. Então eu queria que ele parasse de me procurar... Ou m...
Tenho pensado muito sobre como nem toda pessoa é pra você. Sobre como paixões intensas nem sempre despertam a sua melhor versão. E eu acho mesmo que minha última relação não fazia tão bem assim pra mim. Porque quando era bom, era muito bom. Mas quando era ruim… era terrível. O ciúme. O controle. A tensão constante de medir palavras, atitudes, roupas, reações. Eu já não me sentia completamente eu. E isso é assustador quando você percebe. Porque lá no começo eu fui muito clara: “eu só quero poder ser eu. Só quero não precisar performar.” E, de repente, eu estava performando o tempo inteiro. Tentando prever reações. Tentando evitar conflitos. Tentando parecer menos intensa, menos livre, menos expansiva. Tentando ser a versão de mim que causaria menos desconforto. Mas isso não é amor. Isso é sobrevivência. E sejamos honestos, nunca foi cuidado. Era controle vestido de preocupação. Porque cuidado acolhe. Controle sufoca. E eu acho mesmo que você nunca confiou em mim, talvez nem em você...