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Até que a morte os separe (2024)


Até que a morte os separe, dizem

Mas é uma falácia, uma venda ilusória

A morte não separa ninguém, perceba:

Pois ficam as memórias, 

as lembranças, 

a história


Sinto falta do seu cheiro, 

do seu gosto, 

da sua voz

Saber que você nunca mais entrará por aquela porta

Com suas brincadeiras inconvenientes 

e sua gargalhada barulhenta

É o que mais dói, 

é o que mais corta


Viúvo é quem vai, dizem mais uma vez

Mas quem fica é dilacerado.

Procurando sentir de novo, 

ver de novo

Tocar o que já foi, 

reviver o impossível


Vivo ansiosa pelo que vem depois, 

depois de nós

Mas dentro de mim um não grita feroz

Porque para que haja o depois, 

eu preciso colocar um fim no agora

E como fechar essa porta? 

Como construir uma nova história

carregando você na memória?


Será que existe um final feliz depois de nós?

O que resta para mim depois de nós?

Uma vida de sombras 

e lembranças de nós?

Uma ânsia por liberdade 

que sempre termina em nós?


Nos sussurros da noite, nos ecos do dia

A dor é companheira, a saudade guia

Até que a morte nos separe, que mentira cruel

Pois o amor permanece, como um laço eterno, fiel.

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